Domingo na região Piedmont!
Caso não saiba, a Itália é dividida por regiões, cada região possui suas províncias e também cada região possui sua capital. Cada província possui sua comuna (equivalente ao termo município no Brasil). A região do Piedmont (pied - pés; mont - montanhas; logo, aos pés da montanha) tem por capital a cidade de Torino, 4ª maior cidade da Itália com aprox. 1 milhão de habitantes. Já Novara (capital da província de Novara), é uma comuna também na região do Piedmont com aproximadamente 100 mil habitantes.
O domingo, mais uma vez, parecia promissor! Acordamos bem cedo para conhecer mais duas cidades na Itália. Quando fiz o planejamento das cidades a conhecer na Itália, procurei cidades importantes e dentro do trajeto de trem para essas cidades, procurei por cidades que possuísse alguma marco arquitetônico que valesse a pena conferir.
Quando estava planejando a viagem na região Piedmont, fiquei na dúvida para escolher entre as cidades de Vercelli ou Novara pois ambas ficam no caminho de Milão para Torino.
E como fiquei grato por escolher Novara!

A viagem de Milão a Novara dura aproximadamente uma hora, chegamos ao destino as 10 da manhã de um domingo. Por ser um domingo de manhã, a cidade estava deserta! Mas a impressão que tive é que Novara é uma cidade extremamente rica. Os edifícios são belos, as ruas decoradas e extremamente limpa. O silêncio imperava na cidade, o que só aumentava a beleza da cúpula da Basílica de São Gaudenzio.


Novara foi uma das cidades que mais gostei de conhecer na Itália e recomendaria para qualquer pessoa. Como queria conhecer mais Torino e tentar entrar em algum dos famosos museus de lá, planejei a viagem somente para conhecer a Igreja de São Gaudenzio que tem uma cúpula de 121 metros e foi construída em 1888. A igreja, em si, existe desde o século XV.

Andar pelas ruas silencioas de Novara, em uma manhã ensolarada, foi outro ponto alto da viagem. Só encontramos turistas quando estávamos indo embora e quando estavamos dentro da Igreja.

Duas palavras que resumem o meu passeio por Novara: beleza silenciosa.

Já na frente da igreja, há uma fonte de água que foi herdada do sistema de saneamento básico do Império Romano. Praticamente toda cidade Italiana tem essas fontezinhas. Bom turista que sou, tomei um gole da água que imagino que deve vir da região dos alpes.

A cúpula é muito alta e muito bonita. A igreja, sem dúvidas, é uma das mais belas que eu já vi… Em um ranking, a colocaria em quarto lugar das igrejas mais belas que já vi. Sendo o primeiro lugar da Igreja Santa Maria Della Fiore em Firenze, o segundo lugar da Basílica de S. Pedro do Vaticano e o terceiro da Duomo di Milano. (Ou seja, deixou pra trás a Catedral de S. Vitu em Praga, a Notre Dame em Paris, a Westminster Abby em Londres e por aí vai…)
Dentro da igreja, Nataly oferecia uma reza e uma vela para sua querida vó, enquanto eu andava pela nave principal observando os túmulos, as belas obras de arte e os túmulos de santos, arcebispos e notáveis do clero.

O interior da Igreja de S. Gaudenzio é magnífica. E tivemos a sorte de visitar a igreja em um horário em que a luz do sol nascente entrava pelo leste da nave principal e a sua luz iluminava somente o dorso de um anjo que estava no lugar mais alto do oeste da nave da igreja. Aquilo foi demais! Imagino que a medida que o dia se passa e o sol se põe, o sol passa a iluminar a imagem do São Gaudenzio que está na parte leste da nave da igreja, igualmente alta como o anjo do lado oeste. Genial a jogada do Alessandro Antonelli, idealizador da alta cúpula da Igreja.

Voltamos para a estação central de Novara para pegar o próximo trem para Torino. A caminhada da Igreja até a estação é rápida, dura uns 20 minutos. Na estação, compramos algo para almoçar e seguimos em direção a Torino.
Na viagem de trem é possível ter um vislumbre dos alpes e a paisagem é bela. (As fotos não estão boas, pq tava difícil no trem em movimento e com as janelas sujas…)



Torino é grande pra dedéu! Chegamos na estação com aquela sensação de turista perdido como sempre acontece. Toda vez que eu chego em uma cidade nova a primeira coisa que eu faço é comprar um mapa da cidade.
Porém, o grande diferencial de Torino é o suporte turístico que a cidade oferece. Logo de cara na estação de trem central tem um centro de informações turísticas que foi uma grande surpresa para nós. Encontramos uma atendente extremamente simpática e anteciosa que nos deu um mapa da cidade, perguntou de onde éramos e começou a nos dar várias informações sobre Torino, anotando os lugares que precisávamos ir com caneta marca-texto no mapa.
Apesar de ser uma cidade bem grande, optamos por fazer todo o trajeto a pé. Seguimos pela Via Roma onde encontramos uma galeria com diversas lojas de antiguidades e - para alegria da Nataly - lojas de sapatos.
Logo na primeira loja de sapatos em liquidação que a Nataly encontrou, ela entrou e fez um estrago. Comprou 2 sapatos e 1 bota por 10 Euros cada, se não me engano. A carga extra sobrou pra quem carregar? Pra mim, claro. (Ela gosta de dizer que ajudou a carregar, mas como o blog é meu eu posso dizer que sofri com aquelas caixas penduradas na minha mochila!).
E enquanto a Nataly escolhia seus sapatos, eu fiz uma pausa para o sorvete Grom. Uma rede de franquias que é italiana e tem sorvetes geniais! Como não existe sorvete ruim na Itália e como o pior sorvete de lá é 3x melhor do que qualquer sorvete que já tomei no Brasil, a Grom se destaca por ter sabores fortes no padrão de qualidade italiano.

Seguimos então pela Via Roma que acaba na Piazza San Carlo. No final da Via Roma e na entrada da Piazza San Carlo estão duas igrejas belamente ornamentadas com estátuas e etc… e servem como um tipo de entrada para a piazza.



Como estávamos sem guia, não me preocupei em saber quais eram as estátuas nas igrejas.





A Piazza San Carlo é famosa por ter o “melhor chocolate de gianduja da Itália”. Gianduja é um tipo especial de chocolate feito com 70% de chocolate ao leite e 30% de avelã. A piazza é recheadas de chocolaterias e, se não estivessem tão cheias, eu iria de uma em uma pedindo para experimentar diversos chocolates (o que muitos turistas fazem) e comprando alguns poucos só pra não ser muito cara-de-pau. A fama da praça é justamente essa: chocolate para experimentar de graça!


E nessa praça também encontrei uma cena que você só vê por aqui… Uma artista que fazia gigantes bolhas de sabão brincava com algumas crianças. Fiquei assistindo por uns 10 minutos sem sequer lembrar de onde eu estava.



Logo após a Piazza San Carlo seguimos pela Via Roma até a Piazza Castelo, que é onde estão algumas das principais atrações turísticas de Torino: o Palazzo Madama, o Palazzo Reale e a Armaria Reale. Bem no centro da Piazza Castelo, diversos artistas performáticos se apresentam em busca de alguns trocados e há um stand de souvenirs oficial de Torino.


Castelo Madama

Portões do Palácio Real
Sim, a cidade é tão preparada para os Turistas que existem os souvenirs licenciados pela Comuna di Torino. E os preços são bem agradáveis, também.
Torino, além de ser sede da Fiat, é um pólo de televisão e radiofusão da Itália. O famoso canal RAI surgiu na cidade. A cidade também conta com o Museu Nacional Do Cinema e o maior Museu Egípcio do mundo.

Duas edições comemorativas do 500 da Fiat, em homenagem ao Rissorgimento Italiano.
Após o passeio na Piazza Castelo, seguimos para o Museu Nacional Do Cinema, que conta com a Mole Antonelliana, uma estrutura de 167 metros que garante ao Museu Nacional do Cinema o status de museu mais alto do mundo, projetada por Alessandro Antonelli (o mesmo que arquitetou a cúpula de Novara), o edifício (se é que posso abrasileirar o termo ‘mole’), foi projetado para ser uma sinagoga do judeus da cidade de Torino. Esse cara gosta de altura, viu…


É possível subir no Mole Antonelliana para uma visão panorâmica da cidade e das montanhas que estão próximas, porém por ser domingo os turistas estavam fazendo a festa. O tamanho da fila é marcado por tempo, ou seja, ao longo de sua extensão existiam plaquinhas de uma hora, uma hora e meia, duas horas. Se eu quisesse ver o topo da estrutura, eu deveria esperar em uma fila de aprox. 2h45.
Não dava.
Seguimos a nossa caminhada para tentar entrar no museu do Egito da cidade. No caminho o cansaço começou a bater e contando que o museu também estaria cheio, preferimos conhecer um pouco mais da cidade. Começamos a fazer o caminho para ver a Igreja Gran Madre de Dio e o Rio Pó. No caminho, passamos em uma tradicional yogurteria italiana (yogo style mesmo, a Itália é o berço do tal sorvete congelado), onde Nataly tomou o que ela clama ter sido o “melhor yogurt da vida dela”:

“Oi! O cara colocou meio copo de nutella no meu yogurt. Tava MUITO Bom! Beijos”
- Nataly Zoghbi
Chegamos então na Piazza Vittorio Veneto que é cercada por duas grandes galerias dos dois lados.


Entre as galerias, existem várias fontes onde a água jorra de estátuas de cabeças de Touros, o que é outro símbolo da cidade.Turista que sou, me aventurei por uma delas para beber… Mas a água estava tão fria (E tão gostosa!), que perdi a sensibilidade dos dedos da mão por uns 2 minutos.


A Piazza Vittorio Veneto é Lindíssima, A ponte Vittorio Emanuelle I que atravessa o Rio Pó e dá diretamente na Igreja Gran Madre di Dio é decorada com bandeiras da Itália e ao subir os degraus da Igreja, você pode ver os alpes na paisagem da cidade. Foi muita beleza ver o entardecer naquele lugar lindo!



Então, decidimos voltar para estação central e voltar para casa. No caminho nos deparamos com o Museu do Ressurgimento Italiano, que marca a unificação da Itália, que esse ano faz 151 anos.

Torino merece a fama de cidade cinematográfica que leva. Tanto que uma das novelas mais famosas da Itália se passa em Torino. E é aquele tipo de novela que dura anos e anos…
Na volta, fomos para a Piazza Castelo. Da Piazza Castelo a Via Roma faz em linha reta o caminho até a estação, passando pela Piazza San Carlo novamente.
Dessa vez tudo estava mais cheio! As galerias cheias de gente, de bandas e artistas. Uma banda em particular, fazia cover dos Beatles e atraía uma boa quantidade de gente.

7 horas em Torino foram poucas. Preciso voltar. Preciso ir aos museus. Cidade linda! O anoitecer nela então… deve ser magnífico!
Quarto dia fechado com sucesso, voltamos para Milão e jantamos McDonald’s. Minha tia detonou 6 coxinhas de frango, um sanduíche chamado California (que é do tamanho de um Whooper Duplo), uma batata grande e 700 ML de coca. Fiquei assustado pq eu, nos meus quase 1,90 de altura e 107 Kilos comi só uma singela promoção do Big Mac!
A viagem de volta para Milão durou 1h30 de trem que passou voando graças aos bons papos que tivemos no caminho.
E eu já estava doido de felicidade, porque se a viagem continuasse como estava sendo, seria absolutamente perfeita.